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CÚMULO


De tão abstrato

Nem eu por vezes me entendo,

De tão sintético

Basta-me um ponto final,

De tão calado

Apenas digo monossílabos,

De tão radical

Só admito um argumento,

De tão obcecado

Vou até ao infinito,

De tão distraído

Ando sempre á minha procura,

De tão daltónico

Apenas vejo a minha cor,

De tão ateu

Nem no diabo acredito.

E para cúmulo dos cúmulos

Eu não existo!