Loading

ESPANTALHO I


Sou o espantalho desta horta

E uma vez em hora morta

Um passarinho me perguntou:

Podes abrir a tua porta?

Não sou eu o porteiro do quintal

Respondi fazendo-lhe um sinal

Eu apenas estou aqui parado

Em cima deste pau espetado

À espera dum bicho mais descarado.

O porteiro é um dono especial

Que me visita à hora habitual

E me faz uma pergunta intencional:

Tens a porta bem fechada?

Ao que eu respondo sem mal:

Com a fechadura avariada

Eu não serei tão leal

A porta normalmente está aberta

E eu atento estou sempre alerta

Apenas deixo um passarinho

Dar à Natureza uma oferta

Vir num ramo fazer seu ninho

Em vez de o fazer em parte incerta.