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ESPANTALHO II

Sou o espantalho mais elegante

Que há nas redondezas

Estou vestido a rigor

Tirando certas miudezas

O meu esqueleto é de pau

O meu coração é de palha

Alguma palha para encher

Porque só osso não posso ter

Nos pés sapatos ligeiros

Para correr atrás dos lampeiros

Uso umas calças de ganga

No campo não dá pra ter tanga

Não preciso de usar cuecas

Isso é para os carecas

E também para certas bonecas

Camisola por mão hábil tricotada

Eu uso em cima da ossada

As mãos são feitas de ráfia fina

Afastam melhor as aves de rapina

A cara é feita com trapo de cetim

Olhos e nariz bem precisos

A boca sem dentes não tem fim

E tem sempre mil sorrisos

O chapéu esse sim,

Bonito, de palha e abas largas

E foi assim que eu vim

Parar à horta do Joaquim