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INVENTEI UM RIO

A nascente foi lá longe em montanhas escondidas

Onde o cheiro das urzes, zimbros e murtas floridas

Purificou as águas tímidas e inocentes

E corrigiu trajectórias irreais e incoerentes.

Cedo, a força das águas ainda puras e naturais

Criou poços profundos e cascatas verticais,

Pelo caminho pedras bicudas foram roladas

Contra as margens quais guias escarpadas.

Ainda jovem, turbulentos campos invade

Floridos em primaveras frescas de liberdade.

Maduro, desenhou meandros e espalhou aluviões

Clareou águas turvas e escondeu-se dos trovões

Velho, encontrou uma planície hipotética

Onde caravelas navegam numa corrente poética.

E se a foz em tempo incerto o fizer desaparecer

No mar eterno mergulhará para lhe agradecer.