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OS 5 SENTIDOS

OS 5 SENTIDOS

 

De olhos bem abertos

Perco a visão do interior que me inquieta

Do vício que me afeta e do medo de ser poeta.

Mas de olhos fechados

Encerro-me dentro de mim

E verei as cores dos defeitos sem fim.

 

De ouvidos à escuta

Não ouço o vento que bate na minha mente

Nem o grito que dei quando fui gente.

Mas de ouvidos tapados

Irei com atenção ouvir

As incertezas do futuro que há de vir.

 

E com eles bem despertos

O cheiro e o sabor voam à distância,

Para longe, para os lugares da infância.

Mas se por algum motivo os não sentir

Meterei a boca e o nariz

No caldeirão de tudo o que não fiz.

 

Com o tato vou palpar

As formas desta vida deformada

Mas com este sentido afetado

Apalparei o vazio em forma de nada.