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POBRE RIO


Rio que choras

A espuma suja com veneno corre-te pelo leito

E as lágrimas limpas secam rápido sem jeito

Nem a chuva nem o sol te conseguem resgatar

Nem os peixes que já não tens voltam a nadar

Nem as areias finas enchem os areais

Nem as águas quentes refrescam os animais

Nem as árvores nas margens mostram vigor

Nem as pedras lavadas rolam em teu redor

Nem os juncos ficam mais eretos

Nem as rãs se escondem entre os fetos

Nem os teus afluentes te estimulam

Nem as nascentes inquietas te azulam

Tanto desespero nas tuas margens

Tanto desencanto nas paisagens

Tanto desleixo eu estou vendo

Pobre rio, vais morrendo.