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SEM ABRIGO

Deambulam pelas ruas

Excluídos mendigos pedintes maltratados

Vagueiam em túneis desorientados

Sete cães pela trela

Vinho tinto em garrafa na mão

Maldito álcool maldita droga malvados vícios

À chuva frio vento sol calor extremos

Camas de improviso caixotes de cartão

Mantas rotas velhas sujas

Apanhadas no lixo da esquina

Deitam-se silenciosos em rijo chão

No jardim arcada ponte viaduto rua

Dormem sem sonhos com pesadelos vazios

Têm como companhia o nada e a solidão

Fazem amizade com o vizinho da noite

Brigam pela manhã e mudam de poiso

Olham os transeuntes cegos óculos escuros

Com auriculares que não ouvem

Assaltam caixotes para alimentar o cão

Para se alimentar e se adoecer

Aceitam um banho raro num balneário social

Uma sopa da carrinha que passa em contramão

Experimentam uma dormida em cama lavada

Que recusam sabe-se lá porquê

Porque sem um teto os túneis não têm luz